terça-feira, 27 de setembro de 2011

"O belo tem de estar presente", diz Jayme Monjardim!



Jayme Monjardim não desvia os suaves olhos azuis quando disseca os detalhes de A Vida da Gente. Diretor de núcleo da próxima novela das seis da Globo, que traz como autora Lícia Manzo, estreante em novelas, Jayme assegura que, a cada trabalho, tem cuidado ainda mais de cada minúcia que envolve todo o processo de direção, captação e depuração das imagens. Prova disso são "takes" cinematográficos com uma assinatura solar e multicolorida que denuncia o estilo peculiar deste paulistano de 55 anos. Com quase 30 anos de carreira na TV, desde que estreou como diretor de Braço de Ferro, na Band, em 1983, Jayme começou a se sobressair em 1989, quando fez Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, e começou a explorar melhor as cenas externas em novelas. "No meu trabalho, o belo tem de estar sempre presente. A boa fotografia e o bom enquadramento são as tradições da minha direção. Acompanho cada passo de todas as produções para que as imagens sejam as melhores possíveis", ressalta.

TV Press - Como tem sido dirigir A Vida da Gente em uma primeira parceria como uma autora estreante em novelas?
Jayme Monjardim - Essa relação com a Lícia ou com qualquer autor tem de ser um casamento. Estamos fazendo uma trama muito humana, com muita emoção e mostrando experiências cotidianas, que podem acontecer com qualquer um. O texto dela traz muita verdade. Nos falamos todos os dias sobre os ajustes e sensações que envolvem a novela, a começar pela música de abertura.

TV Press - Para a trama, você gravou no exterior, em Ushuaia e Buenos Aires, na Argentina, além de cidades do Rio Grande do Sul, como Porto Alegre, Gramado e Canela. Por que a escolha desses lugares como locação?
Jayme Monjardim - Ushuaia, por exemplo, é conhecida como "fim do mundo". Era preciso mostrar um lugar que passasse essa sensação de isolamento da personagem Ana (de Fernanda Vasconcellos) em um determinado momento. Fizemos imagens muito ricas do Sul que nem o pessoal de Porto Alegre vai reconhecer a cidade. A plasticidade desses lugares nos propiciou planos lindos. Isso faz parte do meu trabalho. Mas sempre é uma dificuldade gravar fora do Brasil. Tem uma complexidade pela língua diferente e é preciso uma produção bem planejada para não errar. Queria fazer uma trama fora do eixo Rio-São Paulo. Essa é uma novela grande, não é uma novelinha.

TV Press - Sua direção é muito autoral, ou seja, é muito fácil reconhecer a sua assinatura nas tramas pela linguagem visual. A que você atribui isso?
Jayme Monjardim - Eu tento sempre conseguir isso. Mas em televisão fazemos produtos que passam por um monte de mãos até chegar no ar. Um dos ingredientes que fazem com que minha direção seja identificada é porque trabalho, me envolvo e me dedico muito. Minha teoria é que o olho do dono engorda a boiada. Consegue-se chegar próximo de um trabalho autoral quando você acompanha todas as fases, desde a sonorização, edição, gravação. Sentei com o Fabrício (Mamberti, diretor geral) para discutir cada "take" desta novela, cada cenário, personagem, imagem. Tudo isso vai dando uma cara muito pessoal ao trabalho. É como se a gente tivesse fazendo um filme. Novela e cinema para mim é a mesma coisa. Talvez isso me dê mais facilidade de ter uma relação mais íntima e personalizada com a imagem.

TV Press - Falando em cinema, você está prestes a filmar O Tempo e o Vento, baseado na obra homônima do Érico Veríssimo, além de ter o projeto de rodar Maysa. Qual o andamento dessas produções?
Jayme Monjardim - Vou começar a rodar O Tempo e o Vento em março de 2012. Está tudo pronto, como roteiro e produção. Contratamos o Thiago Lacerda e a Fernanda Montenegro já confirmou. Agora, esta semana, fecho o restante do elenco. Já a minissérie Maysa ia mesmo se transformar em um longa, mas ela teve um caminho tão incrível que achamos um risco partir de cara para um filme. Esse projeto vai ser discutido em uns 10 anos para fazer um filme de fato, talvez com outro elenco, não sei. O tempo é senhor de tudo isso.

TV Press - Você acabou de voltar de Jerusalém, onde dirigiu o especial do Roberto Carlos. Este projeto realmente está previsto para ser gravado em uma cidade diferente do exterior a cada ano?
Jayme Monjardim - Olha, esse já deu um trabalhão. Estou exausto. Ainda não sei se esse projeto vai continuar ao certo. Mas foi bem cansativo. Vou para Jerusalém há muitos anos, mas esta viagem foi a mais especial. Sabia que teríamos lugares mágicos para gravar. O Roberto é uma pessoa e um artista que admiro muito e esse projeto vai virar um DVD em 3D previsto para ser lançado no fim do ano.

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